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Gravissimum Educationis: a Declaração da Igreja sobre a educação no mundo moderno

Gravissimum Educationis é a declaração da Igreja que estabelece os princípios da educação cristã. Saiba como as escolas católicas podem segui-la!

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Verbum Educação

10/12/2025

Conheça a Declaração que, há mais de 50 anos, molda a visão católica sobre a escola, a família e a formação do ser humano.

Em meados do século XX, a Igreja Católica promoveu um dos eventos mais significativos de sua história moderna: o Concílio Vaticano II. Em um esforço de renovação e diálogo com o mundo, os bispos consideraram a “gravíssima importância da educação na vida do homem e a sua influência cada vez maior no progresso social”. Desse encontro, nasceu a Declaração Gravissimum Educationis.

Naquela época, o mundo passava por rápidas mudanças sociais, e as pessoas se tornavam cada vez mais conscientes de sua dignidade e de seu dever de participar ativamente da sociedade.

A partir desse movimento, a Igreja sentiu a necessidade de responder aos novos desafios e reafirmar sua missão no campo educacional , que é cuidar de “toda a vida do homem, mesmo da terrena, enquanto está relacionada com a vocação celeste”.

Mas se engana quem considera a Gravissimum Educationis um documento do passado. Seus princípios sobre a dignidade humana, o papel da família e a meta de uma formação integral continuam relevantes para a Igreja até os dias atuais.

Para saber mais sobre a Declaração, o que ela diz sobre a educação e como as escolas católicas podem se inspirar nas orientações do documento, continue a leitura desse artigo.

Os 12 princípios da Gravissimum Educationis

A Declaração Gravissimum Educationis se sustenta em pilares que, juntos, formam uma visão completa e humanizadora da educação. Mais de meio século depois, esses princípios não apenas continuam atuais, mas se tornam ainda mais urgentes para orientar a missão das escolas católicas.

A seguir, apresentaremos os 12 princípios da Declaração de forma clara e mostraremos como eles podem ser aplicados nas escolas hoje.

1. O direito universal à educação

O documento começa afirmando um direito universal: "Todos os homens, de qualquer estirpe, condição e idade, visto gozarem da dignidade de pessoa, têm direito inalienável a uma educação". Isso significa que a Igreja afirma que toda pessoa, não importa quem seja, tem o direito fundamental a uma educação de qualidade.

Esse princípio se traduz em um compromisso com a inclusão e o acolhimento. A escola católica é chamada a ser um espaço que valoriza a dignidade de cada estudante, adaptando-se para atender às suas necessidades e promovendo uma cultura de fraternidade.

Além disso, a Declaração reforça que a educação deve considerar a identidade cultural, as tradições e a preparação para a vida em comunidade, estimulando as crianças e os adolescentes a desenvolverem responsabilidade, liberdade e constância.

2. O propósito da educação cristã

Para as pessoas cristãs, a educação vai além de aprender conteúdos; ela é um caminho para crescer na fé. Nesse sentido, a educação católica ajuda o estudante a compreender o dom que recebeu no Batismo e a se tornar uma pessoa que leva testemunho ao mundo.

Isso se vive em um ambiente pastoral ativo. A escola se torna um lugar onde a fé é celebrada e vivenciada, não apenas na aula de Ensino Religioso, mas em toda a rotina, por meio da oração, da solidariedade e do exemplo dos educadores.

O documento ainda lembra que a educação cristã deve introduzir os jovens no mistério da salvação, levá-los a adorar a Deus "em espírito e verdade" (Jo 4,23) , formar "o homem novo" (Ef 4,22-24) e prepará-los para testemunhar a fé e colaborar na transformação do mundo segundo o Evangelho.

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3. A família como primeira e principal educadora

A Gravissimum Educationis reforça um dos pilares da doutrina da Igreja: os pais e mães são os primeiros e principais educadores de seus filhos e filhas. O documento afirma que essa função é tão essencial que, "onde não existir, dificilmente poderá ser suprida".

Desse modo, a escola atua como uma parceira da família. Isso se concretiza em uma comunicação transparente, na promoção de eventos de integração e na criação de uma comunidade educativa onde pais e professores caminham juntos. O documento também destaca que esse dever dos pais precisa da ajuda da sociedade civil e da Igreja: cabe ao Estado apoiar a missão familiar (nunca substituí-la) e cabe à Igreja oferecer, como mãe, uma educação iluminada pelo espírito de Cristo.

Leia também: Guia para o resgate da família na educação: Como atrair pais e crianças que buscam a missão da sua escola

4. As ferramentas da educação cristã

A Igreja utiliza muitas ferramentas para educar, com destaque para a catequese. Mas ela também valoriza as escolas, os grupos de jovens, as atividades culturais e esportivas e os meios de comunicação como espaços para a formação integral católica.

Ao trazer essa visão para o ambiente escolar, isso se reflete em um currículo rico e diversificado. As instituições podem — e devem — utilizar a arte, o esporte, a tecnologia e os projetos sociais como parte das suas práticas pedagógicas para fortalecer a aprendizagem das crianças.

5. A importância central da escola

A Igreja coloca a escola em um lugar de honra. Isso porque a instituição de ensino é um centro vivo que cultiva atentamente as faculdades intelectuais, desenvolve a capacidade de julgar, introduz no patrimônio cultural e promove o sentido dos valores.

No ambiente escolar, esse princípio se concretiza como um espaço de formação integral. O educador assume sua vocação como missão, unindo inteligência e sensibilidade, para orientar cada estudante. Assim, a escola se torna o coração da comunidade: um lugar onde conhecimento e valores caminham juntos para formar pessoas plenas, preparadas para a vida.

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6. O direito de escolha dos pais

O direito de escolha dos pais é um dos pontos centrais do documento. Como primeiros educadores, pais e mães podem decidir onde e como seus filhos e filhas serão educados. Inclusive, a Igreja rejeita qualquer forma de monopólio do ensino, pois considera que ele fere a dignidade humana e prejudica a convivência justa na sociedade.

Na prática, para as escolas católicas, isso significa que a instituição precisa ter uma identidade clara e uma proposta pedagógica bem definida, para que as famílias possam escolher de forma livre e consciente.

Além de comunicar com transparência sua missão, a escola é chamada a envolver as famílias como parceiras ativas no processo educativo, por exemplo, por meio de associações de pais que colaboram no dia a dia da vida escolar.

Leia também: 7 Estratégias Comprovadas para Fortalecer a Parceria Família-Escola na sua Instituição Católica.

7. O cuidado com estudantes em outras escolas

A missão da Igreja não se limita aos muros das escolas católicas. O documento afirma que a Igreja tem um "dever gravíssimo de cuidar zelosamente da educação moral e religiosa de todos os seus filhos", onde quer que eles estejam.

Isso significa que ela se deve fazer presente também na vida dos jovens que frequentam escolas não católicas. Como? De três formas principais:

- pelo bom exemplo de professores e diretores católicos que trabalham nessas instituições;

- pela ação de amizade e testemunho dos colegas católicos;

- e pelo apoio de padres e leigos que oferecem formação e auxílio espiritual.

Ao levar esse princípio para escolas católicas, é possível promover eventos abertos ao público, colaborar com outras instituições de ensino e formar seus próprios estudantes para serem fermentas no meio da massa, capazes de levar os valores do Evangelho para todos os ambientes que frequentarem.

8. A missão da escola católica

Aqui está o coração da identidade da escola católica. Sua missão não é apenas ser excelente academicamente, mas "criar um ambiente de comunidade escolar animado pelo espírito evangélico de liberdade e de caridade". O objetivo é que todo o conhecimento adquirido pelos estudantes — sobre o mundo, a vida e o ser humano — seja iluminado pela fé.

A Declaração também faz um chamado especial aos professores, afirmando que deles depende o sucesso dessa missão, e que seu trabalho é um "autêntico apostolado" e um "verdadeiro serviço prestado à sociedade". Isso significa que os educadores devem ir além do ensino de conteúdos para se tornar a sala de aula em um espaço de testemunho.

Assim, os valores cristãos não são apenas ensinados, mas vividos nas relações, nas decisões e na cultura institucional.

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9. Os diferentes tipos de escolas católicas

Não existe um único modelo de escola católica. A Igreja incentiva a criação de instituições que respondam às necessidades do mundo atual, como escolas profissionalizantes, centros para adultos e, de modo especial, aquelas dedicadas a crianças com deficiência ou em situação de vulnerabilidade.

Hoje, esse chamado significa que a escola católica precisa ser inovadora e socialmente relevante. Ela deve adaptar seu projeto pedagógico às necessidades da comunidade, mantendo sua identidade de fé, mas também respondendo aos desafios do presente, sempre com atenção especial aos mais necessitados.

10. As universidades católicas

A Declaração ensina que, no ensino superior, a missão é aprofundar o diálogo entre fé e razão, mostrando como ambas caminham juntas em busca da verdade. Inspiradas por grandes doutores da Igreja, como São Tomás de Aquino, as universidades católicas têm o objetivo de formar profissionais competentes e, ao mesmo tempo, testemunhas de fé no mundo.

Nas escolas de hoje, esse princípio nos lembra que a busca pela verdade deve começar cedo. Cabe à escola incentivar a pesquisa, o pensamento crítico e mostrar que ciência e fé não se opõem, mas se complementam, ajudando os estudantes a compreender o mundo de forma integral.

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11. As faculdades de ciências sagradas

Segundo a Declaração, as faculdades de Teologia e outras ciências sagradas têm a missão de aprofundar a compreensão da Sagrada Escritura, promover o diálogo com outras religiões e responder às questões trazidas pelo avanço da ciência. Elas são essenciais para manter viva, profunda e atual a reflexão sobre a fé.

Esse trabalho acadêmico sustenta a qualidade do Ensino Religioso e a formação dos professores nas escolas atuais. É graças a esse aprofundamento que os estudantes recebem uma formação sólida, capaz de dialogar com os desafios e as perguntas do mundo contemporâneo.

12. A importância da colaboração

Por fim, a Declaração destaca que nenhuma escola deve caminhar sozinha. Ela faz um forte apelo à colaboração entre escolas católicas e à cooperação com outras instituições, sempre com o objetivo de servir ao bem comum.

Para isso se concretizar, é possível criar vínculos por meio de redes, associações e projetos comunitários. Ao trocar experiências e unir esforços com outras instituições, a escola católica mostra que a educação é uma missão compartilhada e que forma cidadãos comprometidos com a solidariedade e a fraternidade.

Conclusão

Como vimos, a Gravissimum Educationis continua atual porque recorda à escola católica sua missão mais profunda: formar pessoas inteiras, unindo fé, ciência e vida em comunidade.

Educar não é apenas transmitir conhecimentos, mas despertar para a verdade, para o amor e para o compromisso com o bem comum.

Na Verbum, acreditamos que esses princípios ganham vida quando transformados em práticas pedagógicas inovadoras. Por isso, esse conceito está presente em nossas metodologias de ensino e soluções tecnológicas para educadores.

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